Poesia Paraguaia em Português

País bilingüe, em que se fala espanhol e guarani, além de um crioulo, o jopará (mescla dos dois idiomas), possui uma poesia de tons fortes que vale a pena ser conhecida!

Tuesday, March 29, 2005

Segredo de vento molhado, Rick Taylor



Se queres ver o rosto de Deus
Vislumbra esse resplendor fulgurante de sol enamorado
que bem de manhã
alumia os olhos das crianças
e se reflete no tíbio ventre de tua mãe.

Rick Taylor, poeta paraguaio (06/07/1977 - ...)
Tradução de André Damázio

Original

Primeiro pensamento depois da guerra, Rick Taylor



Sofrimento de mulher.
Cristalina pele
banhada em lágrimas

ouro líquido
como oceanos
de ninfas

ternura de uma virgem
ao sonhar um despertar

a seda,
os olhos de Amélia

Todas as almas
murchas sob a pedra.

Rick Taylor, poeta paraguaio (06/07/1977 - ...)
Tradução de André Damázio

Original

Bosque de serpentes, Rick Taylor



Não, tu nunca foste o sabor amargo do absinto

Nem o céu estrela na noite de ano novo.

Eras muito mais que isso

Tu eras
o que minha ausência
jamais pode preencher.

Rick Taylor, poeta paraguaio (06/07/1977 - ...)
Tradução de André Damázio

Original

Pranto lunar, Rick Taylor




Noite suicida do selvagem
cuja frágil cabeça estala
envolta em drogas e dor
Lua de ouro...
se tu floresces no amor marinho,
dá-me o último beijo de inocência
Beijo em seda e orvalho estrelado
Quero beber o tíbio licor dourado
que se funde tibiamente atrás dos sonhos
de tua frondosa cabeleira loura
estendida ternamente sobre o lago,
como um manto etéreo
suspirando silêncios
e lágrimas virgens,
nascidas de amor abnegado
Lua, lua...
Minhas lágrimas são fios finos
onde se dissipa o paraíso.


Rick Taylor, poeta paraguaio (06/07/1977 - ...)
Tradução de André Damázio

Original

Monday, March 28, 2005

Espuma apenas, Jorge Montesino



A espuma que é o centro
de cada partezinha e a outra
a que serve à língua para dizer:
"não é nada: espuma apenas."
Toma-a em tuas mãos
não é nada: espumas apenas.
Trata de agarrá-la
Não é nada: espumas apenas.

Não há torre inexpugnável sem espuma.

Jorge Montesino, poeta, argentino radicado em Assunção, Paraguai, desde 1989.
Tradução de André Damázio

Original